As cintas de poliéster (ou lingas de cinta) são leves, flexíveis e protegem o acabamento da carga — por isso são muito usadas para içar peças usinadas, estruturas pintadas, tubos e equipamentos. Mas o mercado oferece vários modelos, com fatores de segurança e formas de uso diferentes, e escolher errado pode comprometer a operação.
Neste guia você vai entender os principais tipos de cinta para içamento, o que significa cada fator de segurança, como ler a cor e a etiqueta e quais cuidados adotar antes de cada uso.
Por que usar cintas de poliéster no içamento?
- Leveza e flexibilidade: facilitam o manuseio e a acomodação na carga;
- Proteção da superfície: não riscam nem marcam peças usinadas, pintadas ou polidas;
- Grande área de contato: distribuem melhor o esforço sobre a carga;
- Resistência à corrosão: não enferrujam como correntes e cabos de aço.
Em contrapartida, são mais sensíveis a cortes, abrasão, calor excessivo e produtos químicos agressivos — por isso a escolha da proteção e a inspeção antes do uso são parte essencial do processo.
Principais tipos de cinta para içamento
| Modelo | Característica | Fator de segurança |
|---|---|---|
| Flat | Cinta plana com olhais nas duas extremidades (NBR 15637-1); aceita alças metálicas para maior resistência à abrasão | 4:1 |
| Anel (sem fim) | Cinta em circuito fechado, disponível em corpo simples, duplo, triplo e quádruplo; capacidade varia conforme a forma de uso | 5:1 e 7:1 |
| Sling | Linga de cinta em corpo duplo ou quádruplo, com tabela de capacidade por formato de utilização | 5:1 e 7:1 |
| Tubular | Construção tubular, em diferentes larguras e cores | 7:1 |
| BAG | Olhais reforçados e maior contato com a carga (corpo duplo ou triplo) | 5:1 |
| Grab | Lingas de 1, 2, 3 ou 4 pernas, com acessórios conforme EN 1677 e NBR ISO 16798 | 4:1 |
| Pipe | Para içar tubos e peças, com grande área de contato (padrão ASME) | 4:1 |
| Tubular em aramida | Alta capacidade com menor peso (NBR 15637-3) | 5:1 |
O que significa o fator de segurança (4:1, 5:1, 7:1)?
O fator de segurança indica quantas vezes a carga de ruptura da cinta é maior do que a carga máxima de trabalho (CMT) indicada na etiqueta. Uma cinta 7:1, por exemplo, tem carga de ruptura sete vezes maior que a sua CMT.
Na prática, o número que deve orientar a operação é sempre a CMT da etiqueta — nunca a carga de ruptura. Se quiser entender o conceito a fundo, vale ler o nosso guia Fator de Segurança em Cabos de Aço: a lógica é a mesma para cintas.
Formas de utilização: direta, em forca e em cesto
A capacidade de uma cinta muda conforme a forma como ela é usada, e por isso as tabelas de cada modelo trazem valores por formato de utilização:
- Direta (vertical): a cinta passa pelo ponto de içamento em uma linha reta;
- Em forca: a cinta envolve a carga e passa por dentro de si mesma; a capacidade costuma ser menor que no uso direto;
- Em cesto: a cinta passa por baixo da carga, com as duas pontas no gancho; a capacidade depende do ângulo entre as pernas.
Cores e capacidade: como ler
No padrão de cores mais usado em cintas de içamento (baseado na EN 1492-1), a cor do corpo indica de forma rápida a capacidade em uso direto:
| Cor | Capacidade em uso direto |
|---|---|
| Violeta | 1 t |
| Verde | 2 t |
| Amarela | 3 t |
| Cinza | 4 t |
| Vermelha | 5 t |
| Marrom | 6 t |
| Azul | 8 t |
| Laranja | 10 t ou mais |
Proteções para cintas
Arestas vivas, superfícies abrasivas e cantos cortantes são os maiores inimigos de uma cinta de poliéster. Para esses casos existem proteções que se acoplam à cinta:
- Poliuretano: alta resistência à abrasão e a cortes, indicada para contato com superfícies abrasivas;
- Couro: boa proteção contra abrasão em aplicações gerais;
- Aramida: indicada para maior resistência a cortes;
- Poliéster: proteção leve para contato menos severo.
As proteções estão disponíveis em versões como olhal, corrediça e fixa no corpo, para diferentes larguras de cinta.
Inspeção antes do uso: quando descartar a cinta
- Etiqueta ilegível ou ausente (sem CMT e rastreabilidade, a cinta não deve ser usada);
- Cortes, fios rompidos, desfiados ou áreas muito desgastadas;
- Queimaduras, derretimentos ou sinais de exposição a calor excessivo;
- Costuras soltas ou danificadas;
- Contaminação por produtos químicos agressivos.
Nunca dê nós na cinta, nunca a arraste no chão e sempre proteja as arestas vivas da carga.
Cinta de içamento não é cinta de amarração
Um erro comum é confundir os dois produtos. Cintas de amarração (com catraca) têm outra finalidade, outra norma (NBR 15883-2) e fator de segurança de 2:1 — bem menor que os 4:1 a 7:1 das cintas de içamento. Elas nunca devem ser usadas para içar carga. Sobre as cintas de amarração, já falamos no post Tipos de cintas para amarração de carga: qual escolher para cada situação?:
"Escolher a cinta correta para amarração de carga é essencial para garantir segurança no transporte, evitar danos e cumprir normas de segurança."
A mesma lógica vale para o içamento: cada cinta tem uma finalidade, e a escolha certa começa por saber exatamente para o que ela foi projetada.
Conclusão
Escolher uma cinta de poliéster para içamento envolve mais do que a cor: é preciso definir o modelo (flat, anel, sling, tubular, grab, pipe), a forma de utilização, o fator de segurança, a proteção necessária e conferir a etiqueta antes de cada uso. Com esses cuidados, a cinta entrega o que promete: içamentos seguros, sem marcar a carga.
FAQ (Perguntas Frequentes)
Posso usar cinta de amarração com catraca para içar carga?
Não. A cinta de amarração é projetada para prender carga durante o transporte, com fator de segurança 2:1. Para içamento, use uma linga de cinta própria, com fator de segurança de 4:1 a 7:1 e etiqueta com a CMT.
A cor da cinta é suficiente para saber a capacidade?
Não. A cor é uma referência rápida, mas a capacidade válida é a informada na etiqueta, que também traz a forma de utilização e a rastreabilidade. Se a etiqueta estiver ilegível, a cinta não deve ser usada.
Quando preciso usar proteção na cinta?
Sempre que a cinta tiver contato com arestas vivas, cantos cortantes ou superfícies abrasivas. Proteções em poliuretano, couro ou aramida evitam cortes e desgaste e prolongam a vida útil da cinta.